Mourinho quebra o silêncio sobre o Real Madrid: “É por amor ao clube que regresso”

José Mourinho quebrou o silêncio para conceder, à mais recente edição da revista Vanity Fair, aquela que foi a primeira entrevista desde que deixou o Benfica para regressar ao Real Madrid (clube que já havia orientado, entre 2010 e 2013), a troco de uma verba na ordem dos 15 milhões de euros.

Tal como aconteceu há 16 anos, o treinador português chega ao Santiago Bernabéu com o propósito claro de colocar um ponto final na hegemonia do Barcelona e colocar um ponto final num ‘jejum’ de títulos. Ainda assim, assegura que nada tem contra os culés, clube que o próprio chegou a representar, enquanto adjunto de Bobby Robson.

“No Barcelona, enquanto família, vivemos um período fantástico, fantástico. A minha filha foi para Barcelona com um ano de idade. O meu filho nasceu em Barcelona. Eu, a minha mulher e os miúdos passámos quatro anos fantásticos, em Barcelona. E não posso ter qualquer sentimento negativo sobre isso”, começou por afirmar.

“Mas o futebol é o futebol, e eu joguei várias vezes contra o Barcelona, começando pelo Chelsea, antes de ir para o Internazionale. Fiz grandes jogos na Liga dos Campeões com o Chelsea, e, depois, grandes jogos na Liga dos Campeões pelo Internazionale. Depois, fui para o Real Madrid. Penso que foi o destino que nos colocou um contra o outro”, prosseguiu.

“No final, eu não nego que amo o Real Madrid, e é por essa razão que estou a voltar. Mas não tenho maus sentimentos em relação ao Barcelona, de todo. Simplesmente, desfruto de jogar contra eles, porque, no futebol, desfrutas de jogar contra os melhores. Os melhores pressionam-te a seres melhor do que aquilo que és”, completou.

“Não pode comparar-se a história do Real Madrid com a de ninguém”

Desafiado a explicar o que distingue o Real Madrid de outros clubes que orientou, ao longo da carreira, como o Benfica ou o FC Porto, o Special One não hesitou: “A história. Não pode comparar-se a história do Real Madrid com a de ninguém. Eu penso que as camisolas brancas têm algo de mágico”.

“Ainda assim, a realidade é que as camisolas podiam ser pretas, verdes ou azuis, que não mudaria. Porque aquilo que fez do Real Madrid aquilo que o Real Madrid é é a história. A história do Real Madrid é diferente. Não é a história dos vários jogadores fantásticos que jogaram pelo Real Madrid. Tem a ver com o clube. Tem a ver com os títulos”, refletiu.

“É claro que há períodos de dificuldades. Há períodos em que não conseguem vences como se fossem vencedores em série, como se o fizessem sempre. Há sempre períodos em que tens de construir, em que tens de resconstruir. Mas é o ADN do Real Madrid, o maior clube do mundo, neste momento, em várias áreas”, acrescentou.

“Mbappé? Tenho de ver com os meus próprios olhos”

A terminar, José Mourinho recusou alongar-se em palavras relativamente à potencial incompatibilidade tática entre Kylian Mbappé, a ‘estrela da companhia’, e as próprias ideias táticas que leva consigo para o Santiago Bernabéu: “Tenho de ver com os meus próprios olhos. Preciso de perceber coisas que, neste momento, não sei”.

“Aquilo que eu sei, neste momento, é aquilo que leio na comunicação social, aquilo que vejo na TV. preciso de conhecer os jogadores. Não é altura para falar. É altura para estar muito calmo, analisar, comunicar, colocar questões, apresentar respostas e abrir uma via de diálogo muito fluente e honesta”, apontou.

“No final, aquilo que eu quero fazer é ajudar os jogadores a serem melhores, a ajudarem a equipa a ser melhor, a ajudar o clube a ser melhor. Estou lá para ajudar toda a gente, não para criticar, não para falar, mas para ouvir. A única coisa que eu posso dizer sobre Kylian Mbappé é que é um jogador fenomenal, e vou tentar ajudá-lo a ser ainda melhor do que isso”, concluiu.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo

Adblock Detectado

Por favor, considere apoiar o nosso site desligando o seu ad blocker.