Miguel Sousa Tavares e a Seleção: camisola não se mede com uma caixa registadora, mede-se em campo

Miguel Sousa Tavares marcou presença no noticiário da TVI durante o Dinamarca-Portugal, na noite desta quinta-feira, e contestou um dos argumentos utilizados para defender a continuidade de Cristiano Ronaldo como titular da Seleção Nacional.
Durante a conversa com José Alberto Carvalho, o comentador começou por destacar a prestação de Portugal diante da Dinamarca e considerou que a saída de Ronaldo não significa o fim da equipa das quinas.
“Para já, devo dizer que, aliás, para tranquilizar os portugueses, que o país não acabou ontem com a saída de Cristiano Ronaldo. Nem acabou o país, nem acabou a seleção que está a ganhar 2 a 1, à Dinamarca, e está a jogar muito bem”, afirmou.
Miguel Sousa Tavares recordou ainda que Portugal vinha de uma boa exibição frente à Noruega e destacou a possibilidade de a equipa continuar a apresentar bons resultados sem Ronaldo em campo.
“Aliás, eu devo dizer que há muito tempo que não tinha o prazer de ver jogar esta seleção sem as três coisas obrigatórias: Cristiano Ronaldo, Bernardo Silva e o equipamento todo encarnado”, acrescentou.
O comentador referiu também que, nos dois jogos mais recentes, Portugal não atuou totalmente de vermelho e nenhum dos dois jogadores esteve em campo, antes de reforçar a sua confiança na equipa.
A parte mais crítica das declarações surgiu quando Miguel Sousa Tavares abordou o argumento relacionado com as receitas geradas pela presença de Cristiano Ronaldo na Seleção.
“Eu estou perfeitamente tranquilo. E não aceito o argumento de mercearia das receitas que a Federação deixa de receber com o Ronaldo. Porque isso é o mesmo que dizer que ele comprou o lugar na seleção”, afirmou.
O comentador levou ainda mais longe a comparação, ironizando com a possibilidade de um jogador ter o lugar garantido apenas pelo dinheiro que gera.
“E, aparentemente, tinha comprado um lugar vitalício. Portanto, ele joga porque traz dinheiro para a seleção. O único jogador que eu acho que funciona assim é o sobrinho do sultão do Brunei, que é multimilionário”, disse.
Apesar das críticas ao argumento financeiro, Miguel Sousa Tavares reconheceu a dimensão da carreira de Cristiano Ronaldo e o peso do jogador na história da Seleção Nacional.
“Mas o Ronaldo tem categoria a mais, tem um passado demasiado grande para também se reduzir a este argumento. Quer dizer, ele não pode sair porque a Federação vai perder muitas receitas”, concluiu.



